mpresas de contabilidade, microempreendedores individuais (MEIs) e pequenos empresários do Paraná enfrentaram dificuldades para aderir ao Simples Nacional nos últimos dias por causa de falhas e instabilidade no sistema eletrônico da Receita Federal. O problema levou o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Paraná (Sescap-PR) e a Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas do Estado (Fampepar) a formalizarem um pedido de providências ao órgão federal.
Em ofício enviado à Superintendência da Receita Federal da 9ª Região Fiscal, em Curitiba, as entidades relatam que, desde o início da última semana, profissionais da contabilidade vêm registrando lentidão, quedas no sistema e dificuldade de acesso ao portal, justamente no período decisivo para a opção pelo regime tributário.
O prazo oficial para adesão ao Simples Nacional e ao enquadramento do MEI terminou no dia 30 de janeiro, mas, segundo as entidades, milhares de empresas não conseguiram concluir o processo dentro do tempo previsto.
De acordo com o documento, o problema não é pontual. Relatos de escritórios e empresários indicam “enormes dificuldades” e indisponibilidade recorrente da plataforma digital, o que pode resultar em prejuízo financeiro, já que a não adesão ao regime simplificado implica enquadramento automático em tributações mais onerosas.
As entidades destacam ainda que a situação não decorre de erro do contribuinte ou dos profissionais de contabilidade, mas de falhas técnicas nos sistemas eletrônicos da Receita.
Diante do cenário, o Sescap-PR e a Fampepar solicitaram:
restabelecimento imediato dos sistemas;
reabertura do prazo de adesão;
prorrogação do período de opção ao Simples Nacional e ao MEI, pelo menos até 13 de fevereiro.
Segundo os presidentes das entidades, a medida é necessária para garantir segurança jurídica e evitar prejuízos a micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parte da geração de empregos no estado.
O pedido agora aguarda posicionamento da Receita Federal.
Nas economias modernas, o sistema financeiro promove o encontro entre concedentes e demandantes de recursos. As empresas que tomam crédito o fazem usando os recursos para viabilizar o giro do negócio e realizar investimentos produtivos.
Iniciamos hoje uma parceria de compartilhar melhores prática sobre como tomar e oferecer crédito com a CONAMPE por meio de materiais informativos e uma série de artigos no universo das micro e pequenas empresas. Para começar, apresentamos alguns números que dão a dimensão desse mercado no Brasil.
De acordo com dados do Banco Central, o saldo de crédito destinado a empresas chegou a R$ 2,61 trilhões em novembro de 2025. Essa cifra mostra o valor em aberto das operações de empréstimos e financiamentos feitos por meio do Sistema Financeiro Nacional (SFN). O detalhamento dos dados revela que 53,9% do saldo total foi destinado a grandes empresas e 46,1% foi destinado a micro, pequenas e médias empresas. Esse é o retrato mais atual da distribuição do crédito empresarial.
A evolução recente mostra que, no início da década, a participação das empresas de menor porte no saldo de crédito chegou a 34%, recuperando-se a partir de então, sobretudo com os programas de incentivo ao crédito durante a pandemia. Esse período foi, aliás, de crescimento acelerado do crédito para as empresas menores. Entre 2020 e o início de 2025, o crescimento médio anual do saldo de crédito para esse segmento foi de 16%, enquanto o de grandes empresas foi de 8%.
Os dados de inadimplência divulgados pelo setor dos birôs de crédito mostram que, à medida que o crédito avança, a quantidade de micro e pequenas empresas negativadas também cresce. Em outubro de 2025, esse número chegou a 8,2 milhões, com aumento de 25% na comparação com o mesmo o mês do ano anterior.
Entre os que solicitaram crédito, quase metade conseguiu a liberação, sendo que os principais motivos para buscarem empréstimos foram: capital de giro (41%), compra de máquinas e equipamentos (29%) e reforma/ampliação do negócio (21%).
O estudo mostra que a região Nordeste lidera a busca de empresários por empréstimos (24%). Em seguida, aparecem as regiões Norte (20%) e Centro Oeste (18%), Sudeste (13%) e Sul (11%) Nota-se que, mesmo nas regiões onde o percentual de solicitações de crédito foi maior, os números ainda são baixos com relação ao total de MPEs no país.
A boa notícia é que desenvolvimentos recentes do mercado de crédito, sobretudo no Brasil, podem acelerar a transformação dessa realidade, tornando as modalidades de empréstimos e financiamentos mais acessíveis aos pequenos negócios. Nos últimos anos, houve um esforço regulatório que envolveu a sociedade civil e órgãos governamentais para modernizar o mercado de crédito brasileiro. Um dos frutos desse esforço foi o novo Cadastro Positivo, responsável por dar visibilidade a pessoas físicas e jurídicas no país.
Nas próximas edições, detalharemos alguns dos tópicos citados neste panorama, como os programas governamentais de incentivo ao crédito, o papel do avanço tecnológico, a importância da nota de crédito, entre outros temas. O objetivo é contribuir com informações para que as micro e pequenas empresas possam ter mais visibilidade sobre como buscar recursos para a expansão dos negócios ou para a gestão do fluxo de caixa.
Dado o potencial de crescimento das pequenas empresas, o crédito bem concedido, com o devido controle de risco, é uma porta que se abre para o desenvolvimento econômico e social do país.